André Romão, António Bolota, Bruno Cidra, Diogo Evangelista, Francisco Tropa, Gonçalo Sena, João Queiroz, Nuno da Luz e Pedro Barateiro

16ª Bienal de Cerveira, Vila Nova de Cerveira

16.07.2011–17.09.2011

Como proteger-se do tigre: parte de um entendimento abrangente, fluído e potencialmente contraditório da noção de comunidade, enquanto materialização social e identitária do conceito de rede, tema que enforma a 16ª edição da Bienal de Cerveira. Mais especificamente, o projeto tentará constituir-se não apenas como uma reflexão, mas sobretudo como um exercício sobre as possibilidades de ser em comunidade. Definida por um espaço físico, um prédio na Avenida da Liberdade, em Lisboa, mas não se circunscrevendo exclusivamente a este, esta comunidade é constituída, na sua maioria, por um conjunto de artistas que possui ateliê, expõe o seu trabalho e socializa tanto no edifício como nos espaços de sociabilidade da zona envolvente. A comunidade assim vagamente constituída não possui uma forma fixa ou uma imagem estável. Desse ponto de vista, é fluída, mutável e não se define, como as comunidades tradicionais, por uma partilha de um conjunto de valores pré-estabelecidos. Não é, também, como comunidades artísticas tradicionais (movimentos artísticos, por exemplo), suportada por uma qualquer proximidade estilística, filiação ideológica ou estética. Esta comunidade tende a assentar a sua existência, pelo contrário, em dois pilares fundamentais: sociabilidade e solidariedade.

Assim sendo, sociabilidade e solidariedade apresentam-se como elementos centrais na definição, manutenção e entendimento desta rede de múltiplas ligações entre artistas e, como já mencionado anteriormente, qualquer proximidade estética ou ideológica será sempre contingencial e nunca o resultado (ou apenas o desejo) da instauração de um movimento organizado dentro de um panorama artístico nacional, ou mesmo internacional. Como proteger-se do tigre: nunca poderá ser entendida, portanto, como a tentativa de cristalização de um momento específico da prática artística contemporânea, ou um exercício precoce de historiografia in loco. Trata-se, pelo contrário, de celebrar, mais do que delimitar, uma dinâmica extremamente produtiva e excitante, que a partir de um local concreto (um foco central) tem vindo a disseminar-se e a expandir através de uma lógica de amizade e ajuda mútua. O intuito não será o de definir um movimento ou um estilo, tentativa que, aliás, falharia imediatamente, mas sim explorar a possibilidade de pensar alternativas de existência em comunidade, de agir e, sobretudo, tentar resistir às lógicas e condições precárias impostas pelas dinâmicas neo-liberais, através de mecanismos de sociabilidade e de solidariedade, que apesar de poderem ser encarados como definidores de uma comunidade, nunca deixam de ser centrados num pensamento de existência e primazia do individuo.