Carla Filipe:
É um espaço estranho e maravilhoso, o ar é seco, quente e insípido
Precarious, escape, fascination
04.03.2010 | 10.04.2010



As questões levantadas pela tradução de algo noutra coisa constituem-se como o ponto central do projecto de Carla Filipe para a Kunsthalle Lissabon. O título bilingue é disso um exemplo, explicitando claramente a impossibilidade de uma tradução fiel e que faça justiça à ideia inicial, de onde a tradução parte e cujo sentido pretende manter intacto. Mais do que uma simples alusão a correspondências linguísticas, Carla Filipe aborda o fenómeno de tradução cultural num sentido mais lato. A correspondência do título com o que é dado a ver no espaço expositivo continua esta linha de investigação, já que título e exposição podem ser considerados como completamente antinómicos. O espaço quente e maravilhoso que o título menciona não será mais que uma vaga ideia, sem nenhuma ligação ao lugar frio, desconfortável e inóspito em que a Kunsthalle Lissabon se irá tornar. Mais do que procura de uma correspondência perfeita entre original e tradução, entre um ponto de partida e o destino final, a artista lida com a acumulação de uma pluralidade de referências, que partem de de um tema específico (a relação do indivíduo com a ideia de túnel, catacumba ou submersão, por exemplo) para convergirem no projecto agora apresentado. O horário de funcionamento será alterado exclusivamente para esta exposição, de maneira a tornar mais explicitas as ideias de tradução e ajuste de expectativas que caracterizam este projecto.

Carla Filipe nasceu em Aveiro em 1973 e vive actualmente em Londres e no Porto. Licenciada em Artes Plásticas-Escultura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto e mestre em Práticas Artísticas Contemporâneas pela mesma instituição, é actualmente bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian nos Acme Studios em Londres. Começou a expor no início dos anos 2000, destacando-se as seguintes exposições individuais: Quem espera é pobre, Galeria Reflexus, Porto, 2009; These Things Take Time, Espaço Campanhã, Porto, 2009; Desertar, InTransit, Porto, 2007; Obrigado pela conversa, A Sala, Porto, 2006; Without Name, Galeria Quadrado Azul, Porto, 2005; Zona de Estar, Salão Olímpico, Porto, 2004. Da sua participação em inúmeras exposições colectivas destacam-se: Entroncamento, Espaço Avenida, Lisboa, 2009; Hospitalidade, Hospital de São João, Porto, 2009, Está a morrer e não quer ver, Espaço Campanhã, Porto, 2009; Part-ilha, Spike Island, Bristol, 2008; INTRO, Contretype, Bruxelas, 2007; Busca Pólos, Centro Cultural Vila Flor, Guimarães e Pavilhão de Portugal, Coimbra (co-produção com o Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Porto), 2006; Toxic - O Discurso do Excesso, Terminal e Plano 21, Oeiras, 2005; O Homem Invisível, ZDB, Lisboa, 2004. De salientar também a sua actividade associativa no desenvolvimento e programação dos espaços alternativos da cidade do Porto. É representada pela Galeria Reflexus, Porto.



http://carla-filipe.blogspot.com/




The issues raised by the act of translating something into something else are the central focus of Carla Filipe's project for Kunsthalle Lissabon. An example of such issues can already be found in the bilingual title of the show, which clearly explores the impossibility of an accurate translation, one that does justice to the original idea, from where the translating attempt departs and whose meaning wishes to maintain intact. More than a simple comment on language correspondence, Carla Filipe approaches the broader discussion around cultural translation. The correspondence between the title of the show and what is presented in the exhibition space further explores this line of research, since they can be seen as almost antithetical. The warm and wonderful space the Portuguese title mentions, vaguely echoed through ideas of escape and fascination in the English version, is nothing more than a mirage, with no connection to the cold, uncomfortable and inhospitable place Kunsthalle Lissabon will become. More than the search for the perfect fit between original and translation, between a departing point and a final destination, the artist will explore the accumulation of a multitude of references departing from a specific subject (one's relation with ideas of tunnel, catacomb or submersion, for instance) and finally converging in the project now being presented. Kunsthalle Lissabon's opening hours will be altered specifically for this project, at the artist's request, in order to make more explicit the ideas of translation and expectation adjustment that define the exhibition.

Carla Filipe was born in Aveiro, Portugal in 1973 and is currently living and working in London, UK and Porto, Portugal. She studied Fine Arts – Sculpture in Faculdade de Belas-Artes (Universidade do Porto) and has a master degree in Contemporary Artistic Practices from the same institution. Currently she is Calouste Gulbenkian Foundation's resident artist at the Acme Studios in London. A selection of her solo shows include Quem espera é pobre, Galeria Reflexus, Porto, 2009; These Things Take Time, Espaço Campanhã, Porto, 2009; Desertar, InTransit, Porto, 2007; Obrigado pela conversa, A Sala, Porto, 2006; Without Name, Galeria Quadrado Azul, Porto, 2005; Zona de Estar, Salão Olímpico, Porto, 2004. Her work has been featured in several group shows, namely Entroncamento, Espaço Avenida, Lisbon, Portugal, 2009; Hospitalidade, Hospital de São João, Porto, 2009, Está a morrer e não quer ver, Espaço Campanhã, Porto, 2009; Part-ilha, Spike Island, Bristol, UK, 2008; INTRO, Contretype, Brussels, Belgium, 2007; Busca Pólos, Centro Cultural Vila Flor, Guimarães, Portugal and Pavilhão de Portugal, Coimbra, POrtugal (co-production with Serralves Museum, Porto), 2006; Toxic - O Discurso do Excesso, Terminal and Plano 21, Oeiras, 2005; O Homem Invisível, ZDB, Lisbon, 2004. Filipe has been an active organizer and responsible for the most important artist-run spaces in Porto. She is represented by Galeria Reflexus, Porto.



folha de sala (PDF)