Kunsthalle Lissabon

“KAWOQ”, Colectivo Tz’aqat, 2023. 3’10”. Cortesia dos artistas. Foto: MAC Panamá

"Cantos da Metamorfose ou Aquela vez em que eu Encarnei como Boto", Ainá Xisto, 2024. 11’25”. Cortesia da artista. Foto: MAC Panamá

"Ibegwa", Duiren Wagua, 2021. 11'. Cortesia do artista. Foto: MAC Panamá

Palavra Lavada: Sagrada Como Um Rio, Ellen Pirá Wassu, 2025. Performance. Foto: MAC Panamá

Palavra Lavada: Sagrada Como Um Rio, Ellen Pirá Wassu, 2025. Performance. Foto: MAC Panamá

Palavra Lavada: Sagrada Como Um Rio, Ellen Pirá Wassu, 2025. Performance. Foto: MAC Panamá

MAR É MARÉ, Raquel Lima e Rani Lima, 2025. Performance. Foto: MAC Panamá

MAR É MARÉ, Raquel Lima e Rani Lima, 2025. Performance. Foto: MAC Panamá

MAR É MARÉ, Raquel Lima e Rani Lima, 2025. Performance. Foto: MAC Panamá

KL + MAC Panamá: Primeiro Estava o Mar

Primeiro Estava o Mar foi um projeto realizado em parceria com o MAC Panamá, que reuniu artistas, curadoras e públicos da América Central, das Caraíbas, de Portugal, de Angola, de São Tomé e Príncipe e do Brasil.

O título inspirou-se no mito de criação da cultura Kogui, da costa caribenha da Colômbia, que descreve o mar como a origem de tudo: “Primeiro estava o mar. Tudo era escuro. Não havia sol, não havia lua, não havia pessoas, não havia animais, não havia plantas. Só o mar estava em todo o lado. O mar era a mãe.” Tal como no romance homónimo de Tomás González, a água surge como princípio de vida, continuidade e memória, mas também como ambivalência: é beleza e ameaça, promessa e ruína. O mito evoca uma relação ancestral com a água como princípio de vida, elo de continuidade e lugar de memória, uma imagem que ecoa tanto nos territórios das artistas convidadas como nas culturas panamenha e portuguesa, onde o mar é elemento de travessia, reencontro e permanência.

Primeiro Estava o Mar recorda que, há milhões de anos, os oceanos Pacífico e Atlântico eram um só. A formação do istmo do Panamá transformou fluxos em fronteiras, alterando ecologias, geografias e, mais tarde, políticas e economias. Com a construção do Canal, novas rotas globais se abriram, mas também se agravaram desigualdades. O MAC, localizado hoje num território antigamente proibido aos trabalhadores antilhanos que tinham sido reclutados durante a construção do Canal e ao povo panamenho, é agora palco de encontros que reescrevem essa história.

Em Portugal, o mar carrega igualmente ambivalências: liberdade e luto, descoberta e violência. Nas práticas artísticas contemporâneas, essas memórias retornam como presenças e ausências, ecos e fantasmas.

No dia 17 de outubro, teve lugar uma conversa entre a KL e o MAC Panamá, centrada em modos de fazer, práticas colaborativas e modelos institucionais que desafiam as lógicas hegemónicas da arte contemporânea.

No dia 18 de outubro, apresentámos um programa de vídeo e performances, no Teatro Guild de Ancón, com obras que abordam a ancestralidade, a metamorfose e a resistência:

Isadora Neves Marques, Semente Exterminadora
Mónica de Miranda, Path to the Stars
Ainá Xistó, Cantos da Metamorfose ou Aquela vez em que eu Encarnéi como Boto
Duiren Wagua, Ibegwa
Yelaine Rodríguez, Babalú-Ayé y La Negra del Hospital
Tz’aqat: Manuel Chavajay e Cheen Cortez: Kawoq, 𝘘𝘢𝘵𝘦𝘦 𝘺𝘢’ 𝘈𝘉𝘜𝘌𝘓𝘈 𝘓𝘈𝘎𝘖

As performances de Raquel Lima, MAR É MARÉ e Ellen Pirá Wassu, Palavra Lavada: Sagrada Como um Rio, exploraram a poesia, o corpo e a oralidade como arquivos vivos de memória e resistência — instaurando espaços de escuta e partilha, onde diferentes temporalidades e experiências se cruzam.

Com este projeto, Kunsthalle Lissabon e MAC Panamá afirmam um gesto de resistência e partilha, reconhecendo a arte como ferramenta de pensamento crítico e transformação social. Entre screenings, performances e encontros institucionais, abre-se um campo de trocas onde cada obra ressoa como maré que nos liga.

Porque ao longo da história foram sempre as águas a unir a humanidade, nem sempre de forma justa, nem sempre de forma livre, mas sempre abrindo caminhos.

A KL é apoiada pela República Portuguesa/DGArtes, pela Câmara Municipal de Lisboa e pela Vasco Collection. O projeto Primeiro Estava o Mar conta com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian.