Yuli Yamagata: Alô?
Sala de Exposições EA, Porto - Portugal
Alô?, é a primeira parte de um projeto de longa duração, desenvolvido em co-produção com a Escola das Artes, no Porto.
O projeto de Yuli Yamagata, apresenta um universo onde estranheza, humor e ironia se cruzam numa linguagem profundamente visual e performativa. A exposição organiza-se em torno de um novo filme concebido pela artista especificamente para a ocasião, onde um aparente ser humano se interroga sobre a possibilidade de a sua existência ser apenas o sonho de um caracol. A partir dessa narrativa fantástica, Yamagata amplia a reflexão sobre realidades paralelas e a coexistência de infinitas versões de nós próprios, propondo um percurso imersivo entre o insólito e o quotidiano, o absurdo e o lógico, a expansão infinita e o fechamento claustrofóbico.
Um conjunto de novas esculturas complementam o filme, complexificando-o de um ponto de vista formal. Estas surgem como processos materiais e narrativos em constante transformação, ligando o imaginário da artista a noções de grotesco, mutação e hibridez, e dando corpo a figuras exuberantes que oscilam entre sedução, desconforto e mesmo repulsão.
Yuli Yamagata nasceu em São Paulo, em 1989, tendo-se licenciado em Belas Artes, especialização em Escultura, na Universidade de São Paulo. Desde 2015, tem exposto regularmente o seu trabalho no Brasil e internacionalmente. De descendência japonesa, desenvolveu interesse por diversos aspetos da cultura, como shibori, uma técnica manual de tie-dye, ikebana e manga. Para criar as suas peças, Yuli Yamagata trabalha, essencialmente, com tecidos, sobrepondo diferentes têxteis, texturas e padrões - da seda ao veludo, incorporando materiais como resina e tinta, bem como objetos de natureza distintas, sejam eles orgânicos ou artificiais. Yuli descreve o seu processo criativo como algo que parte da fisicalidade do material em si ou de uma narrativa previamente escolhida. Os seus trabalhos, sempre cheios de camadas, referências e sobreposições, convidam o público a decifrar e interpretar as formas e origens dos seus objetos, dando origem a um jogo intenso com o seu receptor.